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Educação em tempos de pandemia, o que fazer?

Educação em tempos de pandemia, o que fazer?

Após a suspensão das aulas por conta da pandemia do COVID-19 o Brasil e o mundo passaram a vivenciar uma nova experiência escolar desde a educação infantil até o ensino superior: as aulas online.

Todo esse processo não está sendo fácil, e é um grande desafio para pais, professores, instituições de ensino e alunos. Precisamos compreender que a educação, por ser construída histórica e socialmente, se faz principalmente na relação estabelecida entre os pares e esse aspecto é o que tem sido experimentado de forma diferente, à distância. Além disso, ninguém estava preparado para o que aconteceu.

Quando a criança vai à escola, ela não vai apenas aprender conteúdos didáticos, mas ela vai desenvolver outros aspectos dos quais tem sido privada, como relacionar-se com colegas e professores, brincar, aprender regras sociais, entre tantos outros; e é desse currículo oculto que ela sente saudade.

Podemos ainda pontuar que as crianças de hoje não foram preparadas para ter autonomia, responsabilidade e dar conta sozinha de suas tarefas, necessitando do apoio em tempo integral dos pais enquanto assistem as aulas, o que dificulta a rotina cotidiana e de trabalho dos adultos.

Como temos visto nas redes sociais, os professores viraram youtubers, os pais viraram professores, e algumas escolas ainda pensam em apenas dar conta de um conteúdo que muitas vezes não está voltado para a realidade das crianças e de suas famílias.

Além de tudo isso, temos as crianças com distúrbios de aprendizagem, deficiências sensoriais e físicas, quadros de desatenção e hiperatividade, transtorno do espectro autista e outras características que pedem um atendimento individualizado, que se na escola ocorria, no modo online está muito difícil de ser atendido.

Colocando ainda mais dificuldades nessa nossa realidade atual, temos os alunos que não tem acesso à tecnologia digital, não tem computador ou celular, não tem internet. Professores também que não dispõem dessa tecnologia ou mesmo não foram capacitados para utilizá-las.

 

O que fazer então frente todas essas dificuldades?

Em primeiro lugar, pais e professores, devem tirar o foco apenas do conteúdo escolar, há muitas coisas que a criança pode aprender e que levará para toda sua vida, além disso, na rotina da casa também pode ter português, matemática, história, geografia e ciências. E o conteúdo do vestibular? Ah, esse ela tem a vida toda para aprender.

Trabalhar a autonomia das crianças, acreditar que são capazes, torná-las autoras da sua aprendizagem, estar perto sem fazer por elas, é o grande desafio. Se feito assim, as aulas online serão realizadas de maneira leve, até divertida, pois é um momento de encontro com os amigos e professores. As birras das crianças ocorrem quando não conseguem compreender a importância e o porquê do que fazem, se frustram, não se sentindo apoiadas.

Dar responsabilidades dentro do que a idade da criança permite, nas tarefas escolares e na rotina da casa. Compreender qual é o seu limite e o limite do seu filho é fundamental. Escolha as batalhas pelas quais vale a pena brigar. Sua principal arma deve ser o diálogo, conversar com as crianças é importante para que compreendam o que estão vivendo e se sintam seguras.

Os professores devem trabalhar de maneira lúdica, sem pressionar a criança ou a família, apresentando o conteúdo que julga necessário, mas compreendendo que vivemos um momento diferente, e que quando tudo passar, e vai passar, conteúdos podem ser retomados e aprendidos. Compreensão, empatia, escuta da criança e da família devem ser as palavras de ordem.

Enfim, podemos viver a educação online de maneira a ensinar para os nossos filhos/alunos que a vida muitas vezes muda nossos planos, que precisamos ser flexíveis e nos adaptar, e que podemos enfrentar a nova realidade com união e diálogo. Essa deve ser a lição para aprender!

Para refletir, deixo essa bela fala de Rubem Alves:

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".

 


GLEIDIS ROBERTA GUERRA

Fonoaudióloga, Pedagoga e Neuropsicopedagoga
Especialista em Distúrbios do Desenvolvimento
Especialista em Libras e educação especial
Especialista em Autismo
Mestre em Distúrbios da Comunicação Humana
Contato – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. - 99977.7766